O modelo de Parceria Público-Privada continua sendo um dos principais vetores de investimento em infraestrutura no Brasil — e, ao mesmo tempo, um dos mais mal compreendidos por empreiteiras que chegam pela primeira vez ao mercado de capitais. O que muitas empresas técnicas e operacionalmente sólidas ainda não perceberam é que, para um fundo de infraestrutura, a análise da empreiteira parceira é tão rigorosa quanto a análise do projeto.
O que o fundo analisa além do projeto
Quando um fundo de infraestrutura avalia uma PPP ou concessão para investimento, ele analisa dois elementos em paralelo: a qualidade do ativo (o projeto, o contrato de concessão, as receitas projetadas) e a qualidade do parceiro operador (a empreiteira ou concessionária privada).
Na análise do parceiro operador, os critérios que os fundos verificam incluem:
- Track record documentado — projetos anteriores com escopo, prazo e custo finais registrados, não apenas relatos verbais
- Estrutura de governança — conselho de administração, auditoria independente, políticas de compliance e anticorrupção formalizadas
- Capacidade de endividamento — índices de alavancagem (dívida/EBITDA) compatíveis com os covenants que o fundo vai impor à SPE
- Estrutura jurídica para receber capital — a empresa precisa estar preparada para operar dentro de uma SPE com múltiplos cotistas e obrigações contratuais complexas
- Equipe com senioridade comprovada — não só o dono ou diretor geral, mas times de finanças, jurídico e operações com curricula verificáveis
O gap entre querer e poder participar
É comum que empreiteiras com décadas de experiência operacional e contratos relevantes não consigam passar pelo processo de seleção de parceiros de um fundo de infraestrutura. O gap não está na capacidade técnica — está na documentação e na estrutura.
Uma empresa que opera há 20 anos mas nunca teve auditoria independente, não tem um modelo financeiro consolidado e não formalizou sua governança interna dificilmente passa pelo processo de due diligence de um fundo institucional. Esse processo não é burocracia — é o mecanismo pelo qual o fundo protege seus cotistas.
Como se preparar para o próximo leilão
A janela de preparação é o período entre o anúncio do leilão e a fase de qualificação dos proponentes — geralmente 90 a 180 dias. É tempo suficiente para estruturar uma SPE, adequar a governança corporativa, preparar o modelo financeiro e identificar o parceiro de capital adequado, desde que se comece imediatamente.
Empresas que chegam à Simaco nessa janela tipicamente precisam de: estruturação da SPE, modelo financeiro no padrão de project finance, identificação de fundos com apetite para o setor e preparação dos documentos de qualificação.
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Estruturamos a operação financeira e a documentação necessária para que sua empresa entre num processo de PPP com o perfil que os fundos exigem.
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